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Morada secular

O solar do barão de Candiota localizava-se na Praia de Belas, Bairro Menino Deus (Foto: Arquivo pessoal)
Acompanhando a admirável iniciativa do grupo Casarões de Porto Alegre (& Outras Querências do RS), busquei no meu arquivo de fotos o solar do Barão de Candiota, Luís Gonçalves das Chagas. Situado na atual Avenida Praia de Belas, com o número 128 (atual 1576) com amplos jardins, na área hoje dividida pelas Ruas Múcio Teixeira, Avenida Ganzo e Rua Comendador Rodolfo Gomes, entre outras.
O barão de Candiota, mesmo agraciado com o título de nobreza pelo imperador Dom Pedro II, a quem forneceu a escolta em sua visita aos pampas, lutou pelo lado farrapo na Guerra dos Farrapos e participou da primeira grande vitória farroupilha, a batalha do Seival.
Luís Gonçalves das Chagas, primeiro e único barão de Candiota (Foto: Reprodução)
A assinatura do barão de Candiota (Foto: Reprodução)
Com base em heranças e em aquisições, a partir da década de 1840, tornou-se proprietário de grande extensão de terras nos atuais municípios de São Gabriel, Santa Maria, São Vicente do Sul, Lavras do Sul, Pinheiro Machado e Candiota. O jornalista e escritor Roque Callage comentava, no ano de 1929, que o poderoso Luís Gonçalves das Chagas poderia ir das coxilhas de Santa Maria à cidade de Bagé "sem cruzar por outros campos que não fossem os de sua exclusiva propriedade”. Teve 11 filhos e uma grande descendência com as famílias Chagastelles, Chagas Carvalho, Thompson Flores e outras. O advogado Fernando Chagas Carvalho, que dirigiu o Internacional, é um dos seus atuantes descendentes.
Fernando Chagas Carvalho, ex-presidente do Sport Club Internacional, é um dos descendentes do barão de Candiota (Foto: Reprodução)
O solar chegou até a década de 1960, já em completo abandono. No estilo das construções do Império, tinha amplos salões, muitos com o teto adornado por florões de madeira entalhada e outros complementos, que evidenciavam o gosto dos potentados da época.Era um dos locais favoritos das incursões da minha juventude no Menino Deus, com os meus amigos desbravando as chácaras e grandes áreas verdes das proximidades do Guaíba, ainda não aterrado.Mais tarde, quando soube da eminência da demolição do solar, estive lá com os colecionadores Lolita e Joaquim Macedo, que adquiriram vários materiais para completar a bela morada em que viveram, e com a decoradora Emilia Schneider, igualmente apreciadora dos materiais nobres para valorizar seus projetos de muito êxito. O artista João Faria Vianna, também descendente do barão de Candiota, resgatou o fradinho de pedra que estava na entrada da propriedade para uso dos visitantes que chegavam com seus cavalos. Esta original peça hoje está com o advogado e especialista em arte e antiguidades Victor Nogueira Barreto.